sábado, 7 de julho de 2012

Concepção de Cenários de Aprendizagem em Ambientes Online






INSTRUCTIONAL DESIGN CONSTRUTIVISTAS




Um “cenário de aprendizagem” é composto por um conjunto de elementos que  descrevem o contexto em que a aprendizagem se desenrola, e que são  condicionados por uma série de fatores, relacionados com a natureza do conhecimento, com a natureza da aprendizagem, com a motivação e a socialização.
O design instrucional é compreendido como o planeamento do ensino - aprendizagem, incluindo atividades, estratégias, sistemas de avaliação, métodos e materiais para instruir. Na educação online, o design instrucional dedica – se a planificar, preparar, delinear, produzir e publicar textos, imagens, gráficos, sons e movimentos, simulações, atividades e tarefas em suportes virtuais. O campo de design instrucional abrange a análise dos problemas de aprendizagem e o seu desempenho. Compreende, o desenvolvimento, a implementação, a avaliação e o gerenciamento de processos instrucionais, assim como a gestão dos recursos.
Segundo Reiser (2001) o design instrucional e tecnológico engloba seis  elementos: análise, conceção, desenvolvimento, implementação, avaliação e a gestão da aprendizagem como um todo. As práticas que orientam o design envolvem a utilização de meios de comunicação para fins de instrução e a concepção e utilização sistemática de procedimentos instrucionais. É um processo sistemático usado para desenvolver programas educativos e profissionais de um modo consistente e fiável.


Principais Fases de um modelo instructional design construtivista:
1) Análise – diagnóstico de capacidades e conhecimentos
2) Planeamento – formulação de objetivos
3) Desenvolvimento – construção de materiais ou o re-uso de recursos
4) Implementação – colocar em prática o planeado e desenvolvido
5)  Avaliação – formativa e sumativa
 

ALGUNS COMPONENTES PARA A CONCEPÇÃO DE UM DESIGN DE APRENDIZAGEM ONLINE



Antes da concepção do design de aprendizagem das unidades curriculares, é necessário ter em conta alguns princípios que podem ser generalizáveis para a concepção de qualquer unidade curricular em ambiente online. O desenho deve centrar-se na aprendizagem, focar-se em desempenhos ou realizações com significado, assumir que os resultados podem ser medidos de um modo fidedigno e válido através da elaboração de instrumentos de avaliação de desempenho e deve ser empírico e autocorretivo.



Etapas para o desenvolvimento da Unidade Curricular

1) Guia Pedagógico Semestral (GPS)



Referência do estudante em relação aos conteúdos, estrutura e atividades associadas à disciplina/ UC. Na sua concepção deve estabelecer-se uma articulação horizontal entre todos os seus elementos e uma articulação vertical ou sequencial inteligível. Possuir uma clara descrição das finalidades e objetivos de aprendizagem, definidos em função das realizações esperadas nos estudantes e não centrados nos conteúdos. Incluir, recursos/objetos de aprendizagem (livros, artigos, vídeos, imagens, sites relacionados com os tópicos de estudo), atividades a realizar pelos estudantes e os critérios de avaliação.


2) Recursos/ Objetos aprendizagem

Disponibilizar no LMS – Learning Management System (Sistema de Gestão de Aprendizagem) recursos/objetos de aprendizagem diversificados e atrativos relacionados com os objetivos da aprendizagem. Utilizar artigos atuais relacionados com as temáticas abordadas e mini-exposições online (em formato áudio e vídeo), com o intuito de os motivar e de criar laços entre os estudantes e o professor. Os livros de referência são mais fáceis de utilizar em formato de papel.


3) Tarefas a Realizar pelos estudantes

Centrar o processo em atividades e problemas a resolver pelos estudantes que devem constituir-se como experiências de aprendizagem (individuais e colaborativas).


4) A dinamização das salas de aula virtuais

Dinamizar as salas de aula virtuais (fóruns de comunicação) através da comunicação assíncrona. Promover uma comunicação assíncrona constante nas salas de aula virtuais através de três tipos de padrões comunicacionais: interação estudante (s) – conteúdo, interação estudante (s) – professor e interação estudante (s) – estudante (s). O fórum é uma ferramenta de comunicação importante para realizar debates entre os estudantes e o e-professor/e-moderador.


 5) Teorias e Modelos Pedagógicos Online


 MODELOS CONGRUENTES COM AS CONCEPÇÕES CONSTRUTIVISTAS DA APRENDIZAGEM



1) Modelo de e-moderating (Salmon, 2000)

2) Modelo de comunidades de investigação (Garrison et al, 2000)



MODELO DE E - MODERATING
(SALMON, 2000)


Para que a formação online tenha êxito, os participantes necessitam de apoio mediante um processo estruturado de desenvolvimento. Esse apoio assenta em cinco etapas que conduzem progressivamente, os participantes, a uma maior autonomia na aprendizagem, através de uma modificação gradual das experiências de formação online. Cada etapa requer atividades de diferente natureza, apropriadas para a motivação dos participantes e construção consequente da aprendizagem.
É uma das propostas mais estruturadas para o desenvolvimento de comunidades de aprendizagem, onde a contribuição de cada membro, tem o seu próprio significado, e a função do formador (e-moderador) é uma função estruturante de base. Este modelo orienta a atividade do e -  moderador no trabalho com os formandos, para conseguir a construção de comunidades virtuais de aprendizagem e visa a independência do formando, no trabalho com os outros elementos do grupo. É também um modelo desenvolvido para funcionar essencialmente através da utilização dos fóruns eletrónicos, em modo de comunicação assíncrona.
Etapas em que assenta este modelo:
1 –  Acesso e motivação: primeiro contacto com o ambiente de aprendizagem.
2 Socialização: construção da comunidade de aprendizagem.
3 Partilha de informação: troca de informações entre os elementos da comunidade.
4 Construção de conhecimento: início dos processos de interação.
5 Desenvolvimento: estratégias de aprendizagem construtivistas.





Etapa 1: Acesso e Motivação


A motivação visa a mobilização dos formandos para participar, de forma ativa, na formação online, daí ser um aspeto significativo para o êxito, pois havendo motivação, as habilidades técnicas podem adquirir-se conforme as necessidades. As e-atividades aqui devem proporcionar uma introdução à utilização da plataforma tecnológica e desenvolver um sentimento de comodidade na utilização dessa mesma plataforma.


Etapa 2: Socialização Online

Com esta etapa pretende – se criar uma microcomunidade, para muitos participantes estas possibilidades são consideradas atrativas, mas sentem dificuldades em começar. Não está em questão o tempo de duração da comunidade, que pode durar semanas ou anos, mas sim, o desenvolvimento de uma experiência cultural de grupo, enquanto geradora de oportunidades de aprendizagem. O que se pretende é o desenvolvimento de habilidades para partilhar pensamentos, experiências e informação entre os elementos do grupo. O que está em causa é criar uma certa identidade de grupo.
Esta etapa apela para o desenvolvimento de três componentes base, que que são fundamentais na dinâmica das comunidades de prática: o empreendimento conjunto, o compromisso mútuo e o repertório partilhado. As e – atividades, nesta etapa, devem estar de acordo com a criação de uma comunidade através de um verdadeiro processo de socialização. Esta etapa é, assim, uma etapa base para incrementar a interação e partir para a troca de informação e construção do conhecimento.



Etapa 3: Troca de Informação

Nesta etapa podem realizar-se tarefas em cooperação. Nesta fase, o papel do e-moderador é crucial na ajuda e orientação dos participantes para alcançarem a construção da aprendizagem em cooperação.
A interação pode ser com o conteúdo ou com as pessoas (outros elementos do grupo ou o e-moderador).


Etapa 4: Construção de Conhecimento

É uma etapa que tem como objetivo atingir a colaboração entre os participantes e considera-se finalizada quando se verifica a produção conjunta de saberes. Aqui espera-se que os participantes comecem a assumir o controlo da sua própria aprendizagem e a utilizar as potencialidades da comunicação assíncrona.
As e – atividades têm como função o debate e a construção de conhecimento. O professor deve incentivar atividades de reflexão crítica sobre os conteúdos disponibilizados e o desenvolvimento de um portfólio individual de cada estudante.

Etapa 5: Desenvolvimento

É uma etapa dominada pela criatividade, pela crítica, pela auto-reflexão e pela verdadeira aprendizagem em grupo. Os elementos do grupo tornam-se responsáveis pela sua própria aprendizagem. Fase adequada para o desenvolvimento e organização de portfólios individuais que constituam não só um histórico do trabalho, das reflexões e das conclusões dos estudantes, mas também possam constituir-se como evidência das competências adquiridas e das aprendizagens realizadas.


 
MODELO DE COMUNIDADES DE INVESTIGAÇÃO
COMMUNITY OF INQUIRY
(Garrison, Anderson e Archer, 2000)



O modelo foi pensado para o desenvolvimento de comunidades utilizando a comunicação assíncrona, tendo o fórum de discussão como suporte principal de comunicação. Com base no modelo podem-se sistematizar e analisar as interações, a fim de melhorar a compreensão do processo de aprendizagem em comunidade.
Este modelo assenta em três dimensões de base: a dimensão social, a cognitiva e a docente. A existência destes elementos e das suas inter-relações são cruciais para o sucesso das experiências educativas. Para além da necessidade da presença de uma dinâmica social e cognitiva, os autores acrescentam, como fundamental, a necessidade de uma presença docente. O modelo assenta numa perspetiva construtivista da aprendizagem e, a construção do conhecimento individual deve-se, em grande medida, ao ambiente social. Ou seja, um ambiente que favoreça uma diversidade de perspetivas pode promover a investigação, a crítica e a criatividade. Em ambiente colaborativo, o indivíduo assume o dever de dar sentido à sua experiência educativa, responsabilizando-se pelo controlo da sua aprendizagem, através da negociação de significados com o grupo.

Modelo que assenta em três dimensões de base: 

1) Presença cognitiva: corresponde ao que os estudantes podem construir e confirmar o significado a partir de uma reflexão sustentada e do discurso crítico. É vista pelos autores do modelo como um processo de pensamento crítico.

2) Presença social: corresponde à capacidade dos membros de uma comunidades se projetarem socialmente e emocionalmente através do meio de comunicação em uso. Assenta na criação de relações afetivas entre os participantes, enquanto facilitadoras da presença cognitiva.

3) Presença de ensino (docente): definida como sendo a direção, o design, a facilitação da presença cognitiva e da presença social no sentido da realização dos resultados de aprendizagem significativos. É um elemento de base, na medida em que lhe cabe a tarefa de implementar e desenvolver a comunidade e orientar a aprendizagem dos seus membros.

 

É com base na interdependência destas três presenças que se cria uma experiência educativa coletiva, facilitadora de uma reflexão e discussão ativa entre os membros da comunidade.



BIBLIOGRAFIA
MOREIRA, J. A. (2012). Novos Cenários e Modelos de Aprendizagem Construtivistas em plataformas Digitais. In MONTEIRO, A.; MOREIRA, J. A.; ALMEIDA, A. C. (Orgs.). Educação Online: Pedagogia e Aprendizagem em Plataformas Digitais. Santo Tirso: De Facto Editores, pp. 27 – 44.
 
SITOGRAFIA

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